terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A "Terrível" velocidade dos filmes novos.


Diante de filmes atuais e antigos, pude fazer uma análise que não é novidade! Peguei o antigo filme “Excalibur” de 1981 do diretor John Boorman e o atualíssimo “Hobbit”, lançado no final de 2012 de Peter Jackson. Antes de mais nada não vou fazer comparações simplórias para o detrimento de um filme por outro, a minha comparação não será dessa natureza, o que pretendo analisar aqui são duas questões: como as cenas de ação se tornaram extremamente rápidas e porque hoje nós reparamos situações estranhas nos filmes antigos, algumas até dignas de boas piadas.



Cenas de ação com mais elementos e velocidade!
O Hobbit


    Como todo filme de ação da atualidade o Hobbit não fugiu a regra, cenas rápidas cheias de detalhes que passam muito rápido. O que diferencia  do “Hobbit”  para os demais filmes com cenas de ação é que mesmo dentro desses padrões de velocidade ainda torna possível ver os detalhes sem se perder, algo que é impossível em filmes como “Transformers”! Eu não assisti o Hobbit em 48 quadros, e mesmo com menos quadros achei bem organizado as cenas de 
ação, por isso tenho o cuidado de deixar bem claro que esse filme conseguiu com melhor resultado o que muitos hoje não conseguem. Mas o que quero levantar aqui é esse fenômeno da velocidade nos filmes. Algumas pessoas poderão atribuir isso ao ritmo de vida que levamos hoje, que é muito mais acelerado, possuímos aparelhos com mais capacidade, carros mais velozes, aviões supersônicos e ao fazer  essa comparação podemos refletir sobre o nosso ritmo de vida e a influência dessas tecnologias na arte e no entretenimento que produzimos.
Excalibur


 As cenas de ação do filme “Excalibur” são extremamente lentas em comparação com os filmes de hoje, mas devo observar algo importante: esse filme traz cenas de combate mais voltadas a realidade, não se lutava com armaduras e armas pesadas de forma tão acrobática, como vemos em todos os filmes nesse estilo, os movimentos eram lentos e desajeitados.




 Podemos justificar tudo dizendo que um filme como “O Hobbit” é de fantasia e entretenimento, ou que os antigos não faziam cenas rápidas pois não tinham tecnologia. As duas afirmastivas são verdadeiras e isso acaba comprovando que a tecnologia tornou tudo mais veloz , e nem sempre isso é boa. Será mesmo então que a tecnologia vai ser sempre o ideal? Aprender com os filmes mais velhos é uma importante lição que teria servido a superproduções 3D exageradas. Não se trata de dizer o que é melhor, mas avaliar quando é que a tecnologia é usada com abuso. Não acredito que o “Hobbit” tenha feito exagero dela, mas mesmo esse filme não foge a regra dos filmes modernos.


    Theodor Adorno, filósofo Alemão, muito citado quando nos referimos a indústria cultural, fala sobre os filmes norte-americanos quando lá viveu de 1938 até sua morte em 1946, ele diz que os filmes norte-americanos “são feitos de modo que a sua apreensão adequada exige, por um lado, rapidez de percepção, capacidade de observação e competência especifica e por outro é feita de modo a vetar, de fato, a atividade mental do espectador, se ele não quiser perder os fatos que rapidamente se desenrolam à sua frente. É uma tensão tão automática que não há sequer necessidade de ser atualizado a cada caso para que reprima a imaginação.” (p.16)
    Adorno já observava essa crescente velocidade muito antes do filme “Excalibur” existir, imagine se ele vivesse nos dias de hoje? A afirmação dele me parece muito atual e digna de reflexão.


Porque hoje encontramos "erros toscos" nos filmes mais velhos?
Obi-Wan contra Vader no Episódio IV

    Vivemos em outra época isso é obvio, devido ao constante uso de novas tecnologias e ritmo acelerado nos filmes, acabamos por desenvolver uma maior percepção, onde nada deve passar despercebido. É muito natural que ao olharmos um filme mais antigo acabemos por reparar em “gafes” ou detalhes que podem ser hilários. Não precisamos ir muito longe, se observarmos filmes mais recentes como a trilogia do “Senhor dos Anéis” ou o “Episódio I, II e III” já vamos notar alguns desses problemas, que daqui a alguns anos serão bem mais visíveis.
Obi-Wan contra Vader no Episódio III

    O filme é adequado a nossa época e a nossa percepção, mas muitas vezes também vamos notar filmes atuais com problemas, isso é normal. Eu achava “Excalibur” um filme perfeito quando o assisti por volta da década de 1990, mas ao assisti-lo com os olhos de hoje, encontro uma série de problemas que não seriam perdoados pela geração mais jovem. 


Qual a solução? Não assistir mais filmes antigos?

    Pelo contrário, é bom assistir, é divertido e faz bem, o que não devemos fazer é ficar avaliando os filmes mais velhos com o olhar atual, em alguns casos deveríamos até tratar o filme como uma fonte histórica. Não cometer o anacronismo (que é avaliar o antigo com a mentalidade de hoje), e entender que as vezes aquele filme que é ruim para os padrões atuais foi ótimo na sua época. Existe aqueles filmes que mesmo antigos atravessam décadas e conseguem manter a mesma impressão que causaram no seu tempo, filmes que impressionam como “Canibal Holocaust” de 1980 do diretor  Ruggero Deodato, ou filmes considerados “cult” como “Deus e o Diabo na terra do sol” de 1964 do diretor Glauber Rocha.


    Isso nos faz pensar, até que ponto a tecnologia de fato ajudou o cinema? Tem filme que se apoia tanto nisso e não tem um bom resultado, outros conseguem explorar esses novos recursos. Quantos filmes você já viu que eram cheios de efeitos e nenhum conteúdo? Ou que abusavam da tecnologia mas isso não ajudava em nada no filme? É impossível dizer se a tecnologia é boa ou ruim, o que podemos entender é que a tecnologia está ai para ser usada, mas ela não vai garantir uma boa produção se o diretor não souber como dosar.

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