quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Uma História de Amor e Fúria (critica)



Uma história de amor e Fúria, é um filme de animação brasileira, produzido pela Gullane e Buriti Filmes, produção de Lightstar Studios e direção de Luiz Bolognesi, lançado em 5 de abril de 2013. Conta uma história de amor entre o protagonista (que muda de nome a cada geração) e Janaína. Mas o filme não conta apenas isso, é visceral, provocativo e profundamente histórico. Mostra a visão vinda de baixo, a história dos “vencidos” onde os “heróis não viraram estátuas, mas morreram lutando contra aqueles que viraram”. 

É impecável quando mostra o Índio como sujeito histórico, com suas alianças politicas, suas guerras e interesses, a naturalidade do ritual antropofágico, um ótimo trabalho desmistificador que ainda teima em ser construído em antigos moldes nas escolas. O filme abusa da nossa mitologia, o Anhangá está presente pronto para destruir a humanidade, na verdade ele está ali para corrompe-la desde a chegada do homem branco no nosso continente.
Mostra o abuso do governo e a revolta de Francisco dos Anjos Ferreira, um dos lideres da revolução da balaida, a animação não perdoa e golpeia com punho firme o rosto de Duque de Caxias, deixa claro que o patrono do exército fez sua honra em cima de muito sangue e covardia, qualquer um teria vergonha de adorar ou ter como representante esse “herói”, Duque de Caxias é mais um daqueles que virou estátua. A animação é cruel nos fatos, mostra a verdade nua e crua conforme o tempo vai passando, por horas me fez remeter ao clipe e a animação da banda Pearl Jam na música “Do the evolution”, nós evoluímos, a sociedade evolui, e nossas formas de oprimir e explorar também.

Importantes datas voltam ao cenário do Rio de Janeiro, a ditadura militar é bem representada, exatamente no ano de 1968, quando a cidade estava pegando fogo, o filme relembra que a visão é dos oprimidos: “de novo do lado mais fraco”. Eu talvez arriscaria dizer que o filme mostra que os novos “quilombos” são as favelas, onde existe os “cangaceiros da cidade”. Por fim a animação faz tal como um historiador, depois de analisar todo o trajeto de nosso Brasil até hoje, arrisca em uma previsão, como seria o Rio de Janeiro no futuro? Milícia ganhando poder, as chacinas a pobres que certamente não irão cessar, uma referência a toda opressão miliciana e policial à comunidades mais pobres, crianças sendo executadas, faz lembrar a chacina da Candelária.

O filme termina como começou, em um ciclo, sem ter uma conclusão certa, a única certeza é de que lutamos todos os dias por algo, lutamos contra a destruição da humanidade, lutamos contra Anhangá. O filme é cheio de metáforas e de um capricho histórico surpreendente.




“Viver sem conhecer o passado, é viver no escuro”


* Se você quiser que sua animação seja divulgada no nosso Observatório, mande um email para nacaraecoragem@yahoo.com.br

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